
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Antes a rosa, hoje há saudade.

sexta-feira, 14 de maio de 2010
Simpatia reprimida.

terça-feira, 4 de maio de 2010
Sobre enganos propositais e arrependimentos tardios.
De repente, na manhã mais solitária do mês - depois de um sonho ou uma noite mal dormida - ele acordou preparado para aceitar sua própria verdade crua.
Talvez tenha sentido a noite inteira vazia, ou o mês inteiro infeliz. Talvez tenha sentido saudade de alguém que nunca quis. Talvez um dia numa sala de aula lotada ele tenha procurado - por instinto - apenas um olhar, só um olhar mais intenso que estivesse teimosamente vivo por sua culpa, em vão. Talvez os shows estivessem mais calmos e menos iluminados, ou a plateia fosse só ventiladores... mas ele começou a sentir frio e mesmo a garrafa vazia, nem esta conseguia dar-lhe o calor necessário - que era bem dentro do peito. Talvez, até mesmo seu pai - aquele monstro que roubou-lhe a liberdade de criança - tenha mostrado-lhe através de vômitos e oratórias o engano, o grande engano da covardia de não assumir nem encarar seu grande Amor. Ele, que sempre negou seu sobrenome, acordou na manhã mais solitária do ano e ao invés de escovar os dentes grandes e brancos, olhou-se no espelho e viu os mesmos olhos tristes de quem fugiu da felicidade, velhos de quem não vive e cansados de quem finge rir suas lágrimas; os mesmos olhos de seu quem-dera-amado pai.
Talvez por tudo isso, por cada uma de todas as minhas hipóteses, ele tenha sentido a necessidade de ouvir a única voz que o reconhecia como homem e que, no entanto, ele evitou por tanto tempo. Por isso - e não por outro engano proposital - ele me acordou num pulo e com o coração finalmente batendo com vontade, assumiu para si mesmo algo que eu já sabia há tempos: "Desculpa, foi engano". "O maior dessa vida", eu responderia em lentos batimentos cardíacos, que provavelmente nunca servirão de consolo.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Eu: mártir de mim mesma
terça-feira, 20 de abril de 2010
Sobre corações e ritmos secretos

sábado, 27 de março de 2010
Sobre o tempo, esse mistério.
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
O que se esvai entre os dedos

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Depoimento Secreto

Eu sinto o peso das suas pálidas pálpebras paradas no espaço. De modo estranho, sinto seus lábios entreabertos que denunciam a falta de incentivo e apoio. Apóio meus pensamentos nas extremidades dos dedos e sinto o peso do meu sangue pulsando na superfície única da pele exposta. E suas costas, constante, encosta no mesmo apoio que o meu, que logo desliza e disfarça sua função.
E é sempre por acaso que tudo isso só acontece em mim quando me força a enfrentar suas eternas costas – que de tão presente tornou-se rotina, roubando o lugar que seria seu não fosse a frieza das tímidas palavras sem autoria.
Fujo do anonimato pra tentar fazer diferença; escrevo sobre tudo que me inspira e não tenho medo das conseqüências; afinal, são só palavras impessoais numa folha reciclável... de atitude tão covarde!
Antes fosse como você, me anularia no anonimato mas falaria mais de mim.
Você sabe quem você é, tem todo o direito de agir como quiser.
Eu gostei de te ler.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Invejando Idiotas
Esse lugar é tão lindo que eu tenho vontade de cagar nele. Tenho vontade de mergulhar no lago e mijar dentro, marcar território num lugar que não é meu e nem vai ser.
A situação me deixou tão tensa ao ponto de me cegar perante a beleza da natureza. Os pássaros e pombas comuns me inspiram inveja ao invés de admiração. Eles cantam e vivem aqui tão alheios à minha tensão que me dá ódio da irracionalidade dos animais. Como no dia em que eu, dramática, chorava em busca da compreensão do meu gato que dormia e às vezes me olhava com os olhos pela metade a me perguntar se eu não o deixaria dormir em paz. Eu não escolhi não ser como eles, qual o remédio pra mim?
Começo a entender porque alguns humanos sentem prazer ao aprisioná-los. É a vida racional tornando-os perfeitos sádicos. É claro que trocaríamos toda nossa responsabilidade de dominar a razão por dias de cantos e bater de asas! Não se tem liberdade quando seus pés estão no chão. Não se tem liberdade quando milhões de semelhantes estão prontos para te julgar incapaz. Entre as aves não há preconceitos. Todos sabem voar. Mas pra mim... voar depende dos outros. E os outros nunca querem erguer o pescoço gordo para te encontrar.
Hoje eu posso ter desculpas por bancar a distorcedora de valores. Eu quis me esquecer de tudo - sem querer. Foi uma tentativa - falida - de me assemelhar às aves. Aquelas idiotas. Não existe dia certo para sonhar, exceto esse.
Esse lugar é tão lindo que eu gostaria de ser enterrada nele; sob o coral de pássaros e pombas comuns que cagariam pra minha morte e reproduziriam-se no lugar dos meus filhos e netos.
Pode ser que hoje algum deles morra por minha culpa... e isso eu nunca vou saber.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
"Testando o gravador pra ver se ele grava a dor"

Depois da morte há vida. As patas tornam-se pés, numa metamorfose humana meio morta. Não fez diferença, pois o amor era o mesmo. Cachorro, mula, homem... não era o corpo que “me” atraía, era ele mesmo, dentro do próprio ser invisível. Qualquer forma que tivesse, ainda assim faria parte de mim. Meu cachorro, minha mula, meu preá que não me quer mais. Ainda bem que não depende dele. É por mim que ele vive, sem querer... Não posso salvá-lo, sou só eu que estou aqui, pois acabo de enfiar a faca nas costas dela. O sangue não presta nem pra doação. Não salva vidas nem tem gosto pros vampiros. Pobre morta incolor... Como a água passa, lava e vira lágrima, pronta pra virar porra. Dentro de mim é claro!
Não viaja... a porra está por todo lado. Na boca daquela, nas pernas da santa. Pura mentira. Sabe? Daquelas transas com gosto de vingança, com o pensamento em outra que pensa estar morta... que queria estar morta e deitada no seu peito, talvez no seu pênis, sem sacanagem.
Não dá mais pra aprender com você, pois pediu pra morrer nos meus braços – ou nos meus peitos – numa nuvem de incêndio do meu coração. Grande bosta, eu deixei que fizesse parte da minha morte e, sem interesse, não recebi nada em troca. Não recebi nada em troca.
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Créditos finais: imagem e título encontrados por Carl, Dead Carl, que jaz no meu coração.

