
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Sozinhos.

Adaptação.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
O pior dia para falar de amor.

É só aquela roupa suada de ontem à noite, no chão da minha sala, amassada pelo amasso e pelo abraço seu. É só ela, singular, que me enche o peito de ar e me molha os olhos de nada. Porque na noite passada foi você quem abriu meus olhos e me mostrou quem eu sou. Foi você quem fechou meus olhos e me fez querer te ter inteiro. E eu, eu só fui aquela que te fez dormir de costas. Porque eu não sei amar o tempo todo. Eu não sei, mas se soubesse, te amaria.
Me incomoda saber que você já sabe.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
No Promises
domingo, 24 de outubro de 2010
Sonhos de cimento e ar.

terça-feira, 19 de outubro de 2010
Afogando as mágoas que eu não tenho.
Minha vida está a bordo de um barco em águas calmas. Não tem ressaca, nem tempestade, nem tesouros escondidos. Não tem vento no céu que mude a minha direção. Só o sol queimando meu rosto e me dando energia para pensar que vale a pena. E tem muita certeza nisso; a calmaria ideal, uma vida toda desembrulhada do presente. O lugar perfeito para morrer. Mas não pra mim, que nem comecei a viver!
Onde estão as ondas teimosas para molhar minhas roupas, meus cabelos e arrepiar os pelos do corpo? Pra onde vão essas aves que cantam sotaques de outros ninhos? E as histórias de vilão e mocinho pra iludir meu coração? Eu tenho saudade da falta de resposta pra questão... e tenho saudade da solidão. Cadê os piratas que vão me salvar? Quem vai encontrar o tesouro perdido no meu peito? É do tamanho do mundo essa riqueza que não cabe mais aqui dentro. É grande demais para ter só um fim. O tesouro que eu tenho não quer ser polido, quer cicatrizes de sangue... Sangue A, Sangue B, Sangue Ouro Negativo. E experimentar o curativo que vier. E se vier. Porque eu prefiro morrer sangrando a viver de espera.
Ah, essas nuvens... Contam-me histórias enevoadas de amores platônicos e traições inocentes, e viram chuva que molha meus olhos e dá brilho. Vou pular nesse mar e mergulhar no reflexo da vida que eu quero levar. E me afundar. Talvez me afogar. Sorrindo por ver o barco-prisão sozinho lá em cima a se perguntar: “Onde foi que eu errei?”. E as bolhinhas de H2O encharcando os meus vãos vão sussurrar a resposta: “Na perfeição, meu Amor”.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Uma dose de cabeça pra baixo (que é pra você dormir bem).
Outro dia mesmo eu te percebi pela primeira vez parado na passagem principal da minha rotina e sua barba me tomou horas de questionamento sobre qual cheiro deveria ter.
Você mal me viu sorrir e já sabia: “She’s going to smile to make you frown, what a clown” *. E passamos a nos seguir pelos corredores, sem querer.
Aos poucos fui decifrando seus olhos atrás das lentes, seus dedos atrás dos livros e seus dentes atrás do cheiro que só sonhando pra saber. Já éramos íntimos quando ouvi o timbre dela, sua Voz, que só podia vir acompanhada do som do violão que você fazia falar.
Então eu pedi um copo e engoli toda minha timidez; pedi um cigarro e traguei toda minha ansiedade – eu que nem fumo, só porque estava com você. Nesse dia decorei as variações Dela e podia ouvi-la a metros de distância com o coração e olhos acelerados. Meu coração fazendo escândalo dentro de mim outra vez. Não demorou muito e você sentiu a vibração ali, minhas orelhas queimando, minhas palavras trocadas e meu idiota disfarce de mulher controlada. Cada detalhe como um fio de barba que você já conhecia há tempos. E por saber da tempestade que acontecia em mim, abriu guarda-chuvas e capas e construiu um abrigo seguro num espaço vazio dentro de ti, para me proteger das enchentes e terremotos que eu mesma causaria. Um homem e tanto você se mostrou; e que por não crescer como os outros, manteve intacta a sensibilidade necessária para me fazer querer te abraçar todos os dias.
Mas os dias sem você só aumentavam e, por eu não poder te ter, você se livrou de mim. Se me perguntassem qual o cheiro da saudade eu já saberia responder: é o mesmo da barba que só sonhando pra saber. Tenho dó não de mim, mas dos copos plásticos que desfio entre meus dedos que, sem utilidade, nem têm sede pra matar. Mas se isso tiver que ser tudo, que continue assim, pois hoje eu sou ao menos a Branquinha de luz própria, quem te conduz entre tantas outras ‘negas’ que só passam sem parar.
* Femme Fatale - The Velvet Underground
13/09/10 – Samantha P. S.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
1 x 1
Ele dormiu do lado direito da cama esta noite, bem do meu lado. Nem a cama de casal, nem o apartamento, nada ali nos pertencia. Só o sono. É que o colchão na sala destinado a ele era quase só chão e a noite implorava conforto. Éramos só nós dois, afinal, para quê fingir? Quando não tem ninguém para te julgar, você perde o medo de arriscar e então “fica comigo esta noite?”. Eu vi felicidade e gratidão transbordando em seu corpo, que enrijeceu tímido.
Dormiu cedo e de costas para mim - o Sr. Respeito - e eu invejei sua respiração profunda de criança. Observei cada segundo o ar entrando e saindo do peito. Tentei acompanhá-lo, mas dormi antes que conseguisse e me perdesse em suspiros.
Acordou cedo e ficou me olhando dormir, mas eu acordei primeiro. Chegou perto da minha boca, eu senti. Abri os olhos no mesmo momento que ele fechou os dele. Não se deve confiar em quem finge dormir – pensei. E voltei a fingir. Estava a dois centímetros do meu rosto e queria me beijar, então eu brinquei com isso sem abrir os olhos. Nariz com nariz, nariz com boca, nariz com olho fechado e a respiração orquestrada dentro do nosso peito. Peito com peito, peito com ombro, peito com mão. Mão com costas, mão com cabelo, mão com cintura e, finalmente, mão com tesão. Boca com boca. Olhos abertos, janelas abertas e... pernas abertas.
A manhã nasce linda para todos os amantes. Tem cheiro de vida uma manhã assim e talvez só por isso eu acorde sempre pronta para dizer “bem-vindo” com o corpo. Eu agi como se soubesse o que fazia o tempo todo e nós dois acreditamos. Tão convincente que passamos o dia andando de mãos dadas como se tivéssemos descoberto um antigo amor oculto. Mas não se deve confiar em quem tem o coração partido. Eu o amei um dia, mas ele só me amou a partir deste. Antes fosse antes!
13/09/10 - Samantha P. S.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Vida, me perdoa?

sexta-feira, 20 de agosto de 2010
"Fahrenheit"

Quando as pessoas me diziam que o perfume era como uma identidade, uma impressão sensitiva presencial, eu não costumava acreditar. Tantas pessoas eu já abracei e sequestrei para dentro de mim pelas narinas... Com exceção de duas ou três de intimidade familiar incontestável, nunca me lembrei de alguém por consequência do respirar. Até hoje.
Alguém usou o seu perfume; alguém que eu admiro muito. Parou do meu lado indiscretamente e o vento fez sua parte de enfiar aquele seu cheiro pra dentro de mim, na direção do meu cérebro. Parei de respirar. Não podia ser ninguém além de você. O primeiro.
A princípio não entendi por que ele fez isso. Por que roubou de ti a única coisa que eu ainda lembrava sem querer ser tua. Mas o acaso tem suas reservas incontestáveis e absolutas. As pessoas utilizam-se de artifícios extravagantes para nos atingir – e você usou aquele pobre homem de caráter. Era você impregnado naquele pescoço e naquela roupa, jogando na minha cara todos os momentos que eu juro já tinha esquecido.
Pude ouvir sua voz se gabando que aquele era importado e custava mais caro que os que eu usava, mas não tão caro, pois você nem se importava em desperdiçá-los em meus pertences – que era pra eu não sentir sua falta. E já estava na metade daquele vidrinho crepuscular imponente, mas tudo bem, pois você já ia comprar outro com o troco da tequila. Não tinha cama, nem cabelo, nem sonhos e passava rodo no banheiro depois do banho; mas dinheiro para o perfume nunca lhe faltou. O cheiro ácido-amadeirado do seu perfume que impregnava os quatro cantos do seu quarto vazio. Foi como uma tempestade o seu cheiro: no início me agradou, mas sua persistência intermitente me sufocava mais a cada dia e eu não podia sair de casa para lembrar do ar puro, pois você estaria lá com seu cheiro orgulhoso, derrubando-o como orvalho do amor em tudo que me cercava. Como se tornou irritante a sua presença inconfundível! Você chegava sempre sorrindo com o cheiro antecipado sabendo que eu amava tudo isso, enquanto eu sorria com os lábios nauseados e os olhos lacrimejando de coragem e covardia – corajosa para te encarar e covarde para te deixar. Eu devia ter inventado um fim para esse desespero. Que poder o teu perfume tinha de me afastar e você! E... que desculpa inovadora eu encontrei para me livrar da sua sombra inodora!
Foram dias difíceis aqueles ao seu lado. Nada digno de ser recordado. Nada além do cheiro ácido do passado, que quando misturado com seu suor me dava arrepios que serviam como choques para acordar a minha vida e me dizer que meu tempo não podia ser perdido.
E por você nunca saber disso, hoje não tem mais cheiro. Até agora.
18/08/10 - Samantha P. S.
