quarta-feira, 4 de maio de 2011

Menina, ele te ama!

Colagem e desenho com lápis de cor feitos por mim.

Menina, ele te ama! Seque as lágrimas do teu rosto, veja as coisas que ele faz. É verdade, um sempre ama mais. Mas não se sinta assim tão frágil, a qualidade é uma virtude que não mede quantidade. Quando ele te escolheu, já lhe dizia o coração, você é a mais bonita. E de ouvir seu velho amigo, seguiu o seu caminho e chegou até você. Sorria pelas noites, sorria pelos dentes, roubava-lhe a atenção e acabava entrando sempre pela porta da frente. Você, de tão fechada e calejada, se viu apaixonada pela inocência do rapaz. Ah, menina, o amor dele é forte! Derreteu seu passado à ferro, te enlouqueceu e te pôs no seu lugar. E estando no seu lugar, viu-se vítima pela primeira vez. Ele sabe te amar, como nunca ninguém fez! E agora onde está a mulher forte e segura, você se pergunta. Ficou perdida em qualquer lugar, onde não há nada para se perder. Seu coração começou a bater e você mal sabe qual é o segredo pra ele não parar. Chora de saudade, chora de certeza, chora por tudo que te faz amar. Esse mal-acostumado coração que aprendeu depois de velho qual é a sua função, só te faz chorar! Mas fique calma, menina, não há nada para se preocupar. Seu amor agora responde, no ecoar do rapaz que não sabe o faz pra te fazer parar de chorar. Menina, ele te ama! Não sei por que reclamas desse amor a disparar...

sábado, 30 de abril de 2011

O dom de perder e aprender.


Fui para aprender, para crescer e sugar, sugar, sugar... E me sugaram inteira.

Observei os traços, os passos e os pedaços. Cada vício de expressão eu decorei. Limpei cada ladrilho, montei cada bancada, lavei todos os bicos e deixei o pó pra lá... Tornei-me o pó que vigiava, curioso, enquanto queriam me limpar. Sei das agulhas, das músicas e dos horários sem terror. Do pescoço que inclina levemente, dos anseios de amor, dos traumas de infância, das famílias imperfeitas, da barriga que cresce com vida e dor. Sei de como dividiam vidas comigo, enquanto recusavam-se a aceitar esse fato. E sei dos olhares que nada dizem – ah! quem me dera não saber desses - enquanto tudo que eu buscava tornava-se palavras mudas. Não olhava para mim, que limpava seu chão e decorava sua agenda com cifrões. “Money over bitches” e eu no vermelho. Família no telefone, amigos na internet e eu sozinha no paraíso, limpando o ralo que só servia para entupir e sugando o pó que deixavam para trás, para mim. Porque o resto também vale a dor de não ser nada antes de ir para o lixo.

Adiei minha partida o quanto pude, na esperança de ver um sorriso e ouvir um sim. Prendia o choro na garganta e atendia o telefone sorrindo. É verdade: entre bonés, tênis e computadores de marca, eu era a mais ignorante. E talvez por isso eu não servisse para seguir os passos que me mostravam, por não querer regredir meus valores humanóides. Há mais vida lá fora do que armas e glória, eu vi. E esse dom que só os homens têm, e essa letra que só os homens têm, e essa armadura que só os homens têm, e esse caminho que só os homens conhecem... não fizeram parte de mim.

E eu agradeço por isso: pela única oportunidade que eu perdi, de me perder.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Dê a descarga.



Um sentimento antigo esquecido no canto mais sombrio da memória. Eu só lembro quando durmo. Cada homem que deita ao meu lado traz um milésimo da memória velha e ao fechar os olhos o cérebro faz sua parte de resgate. Sonho com sorrisos letivos.
Eles levantam da cama e vão ao banheiro e eu penso que é você voltando a qualquer momento. Porque você era desses que vão mas sempre voltam, exatamente como quem só vai ao banheiro por necessidade, faz uma merda qualquer e volta aliviado com a alma mais leve e o coração com mais espaço para mim. Só foi logo ali pegar fôlego para me suportar um pouco mais. Nunca mais voltou.
Esqueceu o caminho de casa e encontrou deus na esquina do bordel. Esqueceu da paixão que agora jaz seca entre os livros de literatura de cordel. Cordas e algemas ao redor de si e uma venda benta nos olhos para secar as lágrimas. Por onde passo deixo pedaços e rastros de ti - pistas de saudade. Você nunca mais vai voltar?

Doa-me o que doer.


Eu lembro dos dias de tédio em sala, quando eu - por exclusiva covardia - fingia estar com náuseas, dores estomacais ou enxaquecas e o professor respondia convencido: "Estás mesmo muito pálida! Vá tomar um ar!" e eu fugia encabulada e surpresa com meu dom camaleônico... Momentos depois eu começava a ter náuseas e dores - não aquelas idealizadas, mas as que dóem. Eu lembro de como eu preferia ser doente a ficar na sala aprendendo coisas que eu nunca usei. Minha longa história sobre doenças convenientes.

{10/05/10}

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Sozinhos.


Olha pra mim: descascando cebolas sem parar, com cheiro de carne podre na corrente sangüínea. O ralo entupiu de novo. Olha o que me faz chorar... Sozinha num pseudo-lar, com a boca cheia de doce azedo. Alimentando minha tensão pré-casual. Dando pistas e mais pistas de quem eu nem sabia que era. E é assim que você gosta de mim: sozinhos.

Adaptação.



Já lavei os lençois e as fronhas, já troquei o lixo do quarto. Já limpei os vidros e janelas e te desenhei na parede. Dorme comigo só mais hoje e vai ficando aqui sem ver os dias passarem. Deixa que eu tiro sua roupa, te jogo na cama e beijo teu corpo com suor encharcado. Viro o colchão, troco de lado, ilumino seus olhos. Te falo de deus, de mãe e de mim; um pouco de tudo que não te faz falta, nem faz sentido. Subo todas as ruas e choro com a chuva. Seguro suas mãos e te acendo cigarros. Te dou mais um trago. Dou passos largos, te largo no ponto e te dou mais um beijo. Não digo "eu te amo", mas nós já sabemos. Por que tudo acaba sem nem começar? Você na parede e eu em qualquer lugar. Seu presente embrulhado com cordas e lanças. Já posso até me matar.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O pior dia para falar de amor.


Abri a porta da minha casa abandonada e percebi que o cheiro de portas fechadas não me incomoda mais. Não me incomoda o convívio com as formigas e traças, nestes móveis velhos de quem já morreu. Não me incomoda as roupas sujas embaixo da cama e as limpas amassadas sobre ela. Não me incomoda o ralo entupido de células mortas, mas nem as vivas incomodariam. A geladeira que não gela mais, não faz diferença. E a árvore de natal que ninguém viu... nem isso me incomoda muito.
É só aquela roupa suada de ontem à noite, no chão da minha sala, amassada pelo amasso e pelo abraço seu. É só ela, singular, que me enche o peito de ar e me molha os olhos de nada. Porque na noite passada foi você quem abriu meus olhos e me mostrou quem eu sou. Foi você quem fechou meus olhos e me fez querer te ter inteiro. E eu, eu só fui aquela que te fez dormir de costas. Porque eu não sei amar o tempo todo. Eu não sei, mas se soubesse, te amaria.
Me incomoda saber que você já sabe.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

No Promises

A primeira música que eu compus. Letra e melodia.
Como eu disse, é simples mas é minha.
E veio de dentro, como tudo que tem aqui.
Espero que gostem... mesmo!


NO PROMISES

Cigarettes smoked by half.
Do you remember? You said you'd stop.
You lie on your bed and you want to have dreams
But you forgot how to fall asleep.

And your life looks like a story
About all the promises that you failed.
And the loves you destroyed,
They still run in your veins.

To remind you ...

It's easy to cry when you feel
That your love will leave you someday.
But you smile even when
You're breaking a heart without shame.

And you look around and see no glory
In those things you've already won.
And you talk to Jesus
But he doesn't want to hear you anymore

Not anymore...

*****

SEM PROMESSAS

Cigarros fumados pela metade.
Você se lembra? Você disse que ia parar.
Você deita na sua cama e quer ter sonhos
Mas você se esqueceu como dormir.

E sua vida parece como uma história
Sobre todas as promessas que você não cumpriu.
E os amores que você destruiu,
Eles ainda correm nas suas veias.

Para te lembrar...

É fácil chorar quando você sente que
Seu amor vai te abandonar algum dia.
Mas você sorri mesmo quando está
Quebrando um coração, sem se envergonhar.

E você olha em volta e não vê nenhuma glória
Nas coisas que você já conquistou.
E você fala com Jesus
Mas ele não quer mais te ouvir.

Não mais... Nunca mais...

domingo, 24 de outubro de 2010

Sonhos de cimento e ar.


Fazendo leitura dinâmica dos meus pensamentos. Em câmera lenta.
Sentindo as batidas do meu fiel ressoando em cada pedaço de pele e entupindo a garganta.
Tem uma escola de samba a ensaiar aqui dentro que anda devagar e pisa nos meus sonhos, fazendo-os sentir a linda dor da existência. Porque a dor da vida é das mais belas.
E, graças a Mim, tudo que eu quero é ser passarela.
Pise fundo e com vontade.
- escrito na rodoviária que é a passarela de Sorocaba.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Afogando as mágoas que eu não tenho.

Minha vida está a bordo de um barco em águas calmas. Não tem ressaca, nem tempestade, nem tesouros escondidos. Não tem vento no céu que mude a minha direção. Só o sol queimando meu rosto e me dando energia para pensar que vale a pena. E tem muita certeza nisso; a calmaria ideal, uma vida toda desembrulhada do presente. O lugar perfeito para morrer. Mas não pra mim, que nem comecei a viver!

Onde estão as ondas teimosas para molhar minhas roupas, meus cabelos e arrepiar os pelos do corpo? Pra onde vão essas aves que cantam sotaques de outros ninhos? E as histórias de vilão e mocinho pra iludir meu coração? Eu tenho saudade da falta de resposta pra questão... e tenho saudade da solidão. Cadê os piratas que vão me salvar? Quem vai encontrar o tesouro perdido no meu peito? É do tamanho do mundo essa riqueza que não cabe mais aqui dentro. É grande demais para ter só um fim. O tesouro que eu tenho não quer ser polido, quer cicatrizes de sangue... Sangue A, Sangue B, Sangue Ouro Negativo. E experimentar o curativo que vier. E se vier. Porque eu prefiro morrer sangrando a viver de espera.

Ah, essas nuvens... Contam-me histórias enevoadas de amores platônicos e traições inocentes, e viram chuva que molha meus olhos e dá brilho. Vou pular nesse mar e mergulhar no reflexo da vida que eu quero levar. E me afundar. Talvez me afogar. Sorrindo por ver o barco-prisão sozinho lá em cima a se perguntar: “Onde foi que eu errei?”. E as bolhinhas de H2O encharcando os meus vãos vão sussurrar a resposta: “Na perfeição, meu Amor”.