
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Vida, me perdoa?

sexta-feira, 20 de agosto de 2010
"Fahrenheit"

Quando as pessoas me diziam que o perfume era como uma identidade, uma impressão sensitiva presencial, eu não costumava acreditar. Tantas pessoas eu já abracei e sequestrei para dentro de mim pelas narinas... Com exceção de duas ou três de intimidade familiar incontestável, nunca me lembrei de alguém por consequência do respirar. Até hoje.
Alguém usou o seu perfume; alguém que eu admiro muito. Parou do meu lado indiscretamente e o vento fez sua parte de enfiar aquele seu cheiro pra dentro de mim, na direção do meu cérebro. Parei de respirar. Não podia ser ninguém além de você. O primeiro.
A princípio não entendi por que ele fez isso. Por que roubou de ti a única coisa que eu ainda lembrava sem querer ser tua. Mas o acaso tem suas reservas incontestáveis e absolutas. As pessoas utilizam-se de artifícios extravagantes para nos atingir – e você usou aquele pobre homem de caráter. Era você impregnado naquele pescoço e naquela roupa, jogando na minha cara todos os momentos que eu juro já tinha esquecido.
Pude ouvir sua voz se gabando que aquele era importado e custava mais caro que os que eu usava, mas não tão caro, pois você nem se importava em desperdiçá-los em meus pertences – que era pra eu não sentir sua falta. E já estava na metade daquele vidrinho crepuscular imponente, mas tudo bem, pois você já ia comprar outro com o troco da tequila. Não tinha cama, nem cabelo, nem sonhos e passava rodo no banheiro depois do banho; mas dinheiro para o perfume nunca lhe faltou. O cheiro ácido-amadeirado do seu perfume que impregnava os quatro cantos do seu quarto vazio. Foi como uma tempestade o seu cheiro: no início me agradou, mas sua persistência intermitente me sufocava mais a cada dia e eu não podia sair de casa para lembrar do ar puro, pois você estaria lá com seu cheiro orgulhoso, derrubando-o como orvalho do amor em tudo que me cercava. Como se tornou irritante a sua presença inconfundível! Você chegava sempre sorrindo com o cheiro antecipado sabendo que eu amava tudo isso, enquanto eu sorria com os lábios nauseados e os olhos lacrimejando de coragem e covardia – corajosa para te encarar e covarde para te deixar. Eu devia ter inventado um fim para esse desespero. Que poder o teu perfume tinha de me afastar e você! E... que desculpa inovadora eu encontrei para me livrar da sua sombra inodora!
Foram dias difíceis aqueles ao seu lado. Nada digno de ser recordado. Nada além do cheiro ácido do passado, que quando misturado com seu suor me dava arrepios que serviam como choques para acordar a minha vida e me dizer que meu tempo não podia ser perdido.
E por você nunca saber disso, hoje não tem mais cheiro. Até agora.
18/08/10 - Samantha P. S.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Antes a rosa, hoje há saudade.

sexta-feira, 14 de maio de 2010
Simpatia reprimida.

terça-feira, 4 de maio de 2010
Sobre enganos propositais e arrependimentos tardios.
De repente, na manhã mais solitária do mês - depois de um sonho ou uma noite mal dormida - ele acordou preparado para aceitar sua própria verdade crua.
Talvez tenha sentido a noite inteira vazia, ou o mês inteiro infeliz. Talvez tenha sentido saudade de alguém que nunca quis. Talvez um dia numa sala de aula lotada ele tenha procurado - por instinto - apenas um olhar, só um olhar mais intenso que estivesse teimosamente vivo por sua culpa, em vão. Talvez os shows estivessem mais calmos e menos iluminados, ou a plateia fosse só ventiladores... mas ele começou a sentir frio e mesmo a garrafa vazia, nem esta conseguia dar-lhe o calor necessário - que era bem dentro do peito. Talvez, até mesmo seu pai - aquele monstro que roubou-lhe a liberdade de criança - tenha mostrado-lhe através de vômitos e oratórias o engano, o grande engano da covardia de não assumir nem encarar seu grande Amor. Ele, que sempre negou seu sobrenome, acordou na manhã mais solitária do ano e ao invés de escovar os dentes grandes e brancos, olhou-se no espelho e viu os mesmos olhos tristes de quem fugiu da felicidade, velhos de quem não vive e cansados de quem finge rir suas lágrimas; os mesmos olhos de seu quem-dera-amado pai.
Talvez por tudo isso, por cada uma de todas as minhas hipóteses, ele tenha sentido a necessidade de ouvir a única voz que o reconhecia como homem e que, no entanto, ele evitou por tanto tempo. Por isso - e não por outro engano proposital - ele me acordou num pulo e com o coração finalmente batendo com vontade, assumiu para si mesmo algo que eu já sabia há tempos: "Desculpa, foi engano". "O maior dessa vida", eu responderia em lentos batimentos cardíacos, que provavelmente nunca servirão de consolo.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Eu: mártir de mim mesma
terça-feira, 20 de abril de 2010
Sobre corações e ritmos secretos

sábado, 27 de março de 2010
Sobre o tempo, esse mistério.
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
O que se esvai entre os dedos

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Depoimento Secreto

Eu sinto o peso das suas pálidas pálpebras paradas no espaço. De modo estranho, sinto seus lábios entreabertos que denunciam a falta de incentivo e apoio. Apóio meus pensamentos nas extremidades dos dedos e sinto o peso do meu sangue pulsando na superfície única da pele exposta. E suas costas, constante, encosta no mesmo apoio que o meu, que logo desliza e disfarça sua função.
E é sempre por acaso que tudo isso só acontece em mim quando me força a enfrentar suas eternas costas – que de tão presente tornou-se rotina, roubando o lugar que seria seu não fosse a frieza das tímidas palavras sem autoria.
Fujo do anonimato pra tentar fazer diferença; escrevo sobre tudo que me inspira e não tenho medo das conseqüências; afinal, são só palavras impessoais numa folha reciclável... de atitude tão covarde!
Antes fosse como você, me anularia no anonimato mas falaria mais de mim.
Você sabe quem você é, tem todo o direito de agir como quiser.
Eu gostei de te ler.
